ENTREVISTA | NILZA BARUDE FALA DE SEU MAIS NOVO LIVRO 'RETICÊNCIAS'

AS “RETICÊNCIAS” DE NILZA BARUDE

@Marcello Fontes

Fotos: Margarida Neide

Nilza Barude lança seu 3º livro nessa sexta-feira, 28, na Bienal do Livro da Bahia


Continuar escrevendo sobre o que pensa e acredita e ser produtiva à sociedade está inserido constantemente nos planos de uma mulher que nasceu para viver o que a vida traz. Ainda pequena, nos idos de seus sete anos, já despertava total interesse pela literatura, devorando livros de autores clássicos como Machado de Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, entre tantos outros, conduziram para o caminho dos livros, reflexões e leituras.

“Penso que minhas experiências de vida podem ser expostas com meus erros e acertos, porque isso faz parte do ciclo da vida, do aprendizado. É claro que tenho um senso interno que me sinaliza quando são inutilidades, que não soa do interesse público, mas tudo que pode levantar questionamentos e fazer pensar, eu acho válido mostrar.”

Nossa convidada especial dessa semana, aqui no blog-site Vapor Baiano, é uma mulher que acredita na vida e no amor. Jornalista, artista plástica e autora de dois livros, Nilza Barude é uma máquina de pensamentos, vira e mexe está sempre inquieta e com a cabeça a mil por hora, e agora mais ainda, por conta do lançamento de seu terceiro livro “Reticências”, nessa sexta-feira, 28, durante a 10ª edição da Bienal do Livro da Bahia no Centro de Convenções da Bahia, no stand da editora Livro.com

“Tenho guardado 17 anos de historia da televisão baiana registrada nas páginas do Jornal A Tarde, além do meu material escrito e publicado na Tribuna da Bahia, até o presente momento. Também tenho editorias dos meus programas de Tv, que falam de um tempo da história política e social da Bahia e do Brasil, além dos temas que levam à reflexão sobre a vida e os sentimentos humanos, e outros novos poemas que Aninha Franco chamam de poemas da oralidade!”


De acordo com a própria Nilza, ‘Reticências’ nada mais é do que pairar sobre as reticências da vida. “O título foi dado por minha filha Juliana, que leu tudo e concluiu que essa história não teve um final. O final está por conta de cada leitor e penso que esse título foi providencial, porque acredito que homens e mulheres se encotram em algumas páginas. Ou não?”, revela Barude. Perguntada sobre os próximos livros daqui por diante, ela diz ter um vasto material trancado, principalmente sobre a televisão baiana.

“O livro trata de um amor vivido através de uma "emailgrafia", como definiu o poeta Rubens Jardim, que escreveu o prefácio. E o título foi dado por minha filha Juliana, que leu tudo e concluiu que essa história não teve um final.”

Para ela o jornalismo entra em tudo, como ela disse, pelos poros, na neura de perfeição e de achar que o texto nunca está bom, curiosidade e observação do mundo à sua volta e descoberta de novos horizontes. Agora, com muitas reticências, confira o que você ainda não sabe sobre Nilza Barude e o que certamente gostaria de saber, na entrevista abaixo, feita pelo editor e jornalista desse espaço, Marcello Fontes. Veja:




1.       Quem é Nilza Barude?

Uma mulher que acredita na vida e que sempre enxerga que vale a pena amar, até porque existem muitas formas do amor ser manifestado.

2.       Você lembra quando o amor pela escrita nasceu dentro de você?

Desde menina eu já gostava de escrever versos. Li muito desde os 7 anos, considerando que fui alfabetizada aos  6 anos. Com oito ou nove, devorava Monteiro Lobato e tudo que me caia nas mãos ligado aos contos infantis. Aos 12, já estava lendo José de Alencar, Machado de Assis, e por ai afora. Devo confessar que li muitos livros escondida de meus pais, considerando que eles achavam inadequados para a minha idade.

3.       Como foram seus primeiros passos no mundo da literatura? Quais as primeiras produções literárias?

Não dá pra responder com exatidão, porque aos 14 já escrevia poemas e crônicas que ficavam no mural da escola, aos 17 publicava poesias em uma revista de circulação local, em Campinas, SP, e assim foi. Mas oficialmente, meu primeiro livro, "Amor/ação", aconteceu em 1995, com poemas da fase "Catequese Poética" (movimento criado pelo poeta catarinense Lindof Bell, da qual fiz parte entre 1960/70 em, São Paulo), além de outros poemas mais novos. Em 1997, publiquei "Cartas & Contos - Memórias de um Coração”, com cartas e dois contos que abriram o livro. E agora, lanço ‘Reticências’.

4.        Tem preferência por algum deles?

Quanto à preferência, sempre a tenho pelo que estou publicando, caso contrário o guardaria na gaveta.

5.       Tem muita gente que escreve, mas se autocensura. O faz por timidez, ou até às vezes por medo de ser criticado por terceiros. O que a senhora tem a dizer a estas pessoas? Qual conselho daria para aqueles que estão começando?

Meu querido, você que me conhece bem e sabe que eu não tenho medo de me expor. Penso que minhas experiências de vida podem ser expostas com meus erros e acertos, porque isso faz parte do ciclo da vida, do aprendizado. É claro que tenho um senso interno que me sinaliza quando são inutilidades, que não soa do interesse público, mas tudo que pode levantar questionamentos e fazer pensar, eu acho válido mostrar.  E o que eu teria a dizer aos que não se expõe só posso responder: que é absolutamente nada, porque cada ser humano é um universo individual, que merece respeito dentro das suas opções de vida, portanto, cada qual deve cuidar do seu jardim como lhe aprouver...

6.       Você é filiada a alguma entidade representativa de escritores que funcione em nossa cidade? Qual?

Não sou filiada a nada! Não por opção, mas porque não houve oportunidade ainda. Talvez essas instituições não reconheçam o meu trabalho como “literatura", até porque a minha produção ainda é muito pequena!

7.       Nilza, além de escritora você também é jornalista, e onde é que o jornalismo entra no processo criativo de um livro, por exemplo?

Ah! Entra em tudo! Entra pelos meus poros, entra pela minha neura de perfeição e de achar sempre que o texto nunca está bom, pela minha curiosidade e observação do mundo à minha volta, pela vontade de descobrir novos horizontes, novas fontes de saber e pela necessidade de nãos ser alienada dentro da sociedade onde vivo e por aí afora...

 8.    É verdade que a arte existe para que a verdade não nos destrua? Devemos buscar na arte meios de escapar das agruras da vida, mesmo que por apenas por alguns momentos?

Não vejo a arte assim, penso que ela é fundamental na vida das pessoas porque trata do belo, do lírico, da maneira sutil de mostrar o mundo. Quanto às agruras do mundo, devo confessar que não sou uma pessoa amarga, embora eu seja uma observadora da sociedade e pelo sofrimento que me causa constatar certas condições humanas. Mas dentro desse caos que é viver, me sinto responsável pelo todo, cumprindo o meu pedaço. Sempre acho pouco o que faço pelo próximo. Porém, mesmo com todas as agruras humanas que me cercam, entendo o mundo e a vida dentro de uma visão espiritualista, mas nunca conformista.

9.       No embalo da Bienal do Livro da Bahia você aproveita e lança seu mais novo livro “Reticências”, não é mesmo? O que são essas reticências?

É isso, lanço no dia 28 na Bienal do livro, no Centro de Convenções da Bahia, o livro "Reticências", que nada mais é do que pairar sobre as reticências da vida. O livro trata de um amor vivido através de uma "emailgrafia", como definiu o poeta Rubens Jardim, que escreveu o prefácio. E o título foi dado por minha filha Juliana, que leu tudo e concluiu que essa história não teve um final. O final ficará por conta de cada leitor e penso que esse título foi providencial, porque acredito que homens e mulheres se encontrarão em algumas paginas.  Ou não?

10.  O livro estará à venda nas melhores livrarias?

A Editora está negociando com as livrarias. Acredito que estará  nas estantes das boas  livrarias de Salvador.

11.   Elas surgiram quando, ou seja, em quanto tempo você produziu o livro até que ele ficasse pronto?

Essa correspondência surgiu em 2006 e foi até o final de 2008, início de 2009. Já na fase final dessa correspondência, troquei idéia com o "outro" personagem dessa história sobre uma possível publicação, e como não houve nenhuma restrição com relação a isso, estou publicando.

12.   Já existe o próximo livro na cabeça?

Já existem sim, muitos outros, porque tenho um vasto material trancado na gaveta...

13.   Nunca pensou em escrever uma grande obra jornalística tipicamente baiana ou até mesmo uma autobiografia de uma carreira brilhante como a sua?

Tenho guardado 17 anos de historia da televisão baiana registrada nas páginas do Jornal A Tarde, além do meu material escrito e publicado na Tribuna da Bahia, até o presente momento. Também tenho editorias dos meus programas de Tv, que falam de um tempo da história política e social da Bahia e do Brasil, além dos temas que levam à reflexão sobre a vida e os sentimentos humanos, e outros novos poemas que Aninha Franco chamam de poemas da oralidade! Quanto a uma autobiografia, penso que não tenho nada de mais relevante que justificasse isso! Sou uma pessoa comum, como milhares que fazem o mesmo que eu... E tem gente maravilhosa que mereceria um relato da sua história, que está no ostracismo... Isso é triste!

14.   Daqui pra frente quais são seus planos?

Continuar escrevendo e sendo produtiva à sociedade.

15.   Um sim...

À verdade, sempre!

16.   Um não...

À ausência de amor, à mentira, à alienação política e à corrupção que continua permeando o nosso país!

17.   Uma frase, uma palavra, que não aí de sua cabeça?

Uma frase do livro pode ser? Nasci para viver o que a vida me traz. Quero partir nas asas do vento e brindar o meu final na grande taça da existência. 

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